Coffe shop
Me recordo da primeira vez que passei a noite em claro. Estava com minha prima mais velha, em frente a um computador… foi difícil não dormir. Mesmo exposta a claridade intensa da tela do computador meu relógio biológico, que não estava nada acostumado com a ocasião, implorava por um local escuro e boas horas de sono.
É engraçado, nostálgico e carinhoso ter uma lembrança como essa pois ela significa que um dia já fui uma criança saudável, sonolenta! E que depois de um regime de redes sociais, noites em claro escrevendo ou lendo histórias, estudando ou fazendo trabalhos, limpando a casa…. cá estou eu! Uma jovem, quase adulta, que trocou o café pelo chá apenas pelo fato do chá cair melhor no estômago já deteriorado pela gastrite.
Uma consumidora de cafeína assídua.
Deveria eu culpar alguém? A internet, talvez? Minha falta de organização, compromisso e responsabilidade? A faculdade? O namorado? Todos? Provavelmente.
Geralmente é em momentos como esse em que eu me sinto mais lúcida, poderosa e que meus dedos conseguem correr livres e graciosos pelo teclado que eu penso que vale todo o sono desperdiçado. Toda a função metabólica não cumprida em meu organismo. Toda a falta de disposição durante o dia. Tudo isso se eu tiver esse momento em que o que me separa do mundo são apenas meus dedos porque mina mente grita sem parar, num processo criativo difícil de acompanhar.
É torturante saber que há muito mais para se escrever, mas meus compromissos não me permitem atrasos. E foi por causa deles, primeiramente, que eu decidi passar a noite e o dia da mesma forma: de olhos bem abertos. Então aqui vamos nós!
KLEINIBING, L.
Burning desire
O tempo passa. E passa rápido. Prova disso é o que você deseja: a viagem, a pessoa amada, a independência, o eletrônico, o inverno. Deseja com tanto fervor e com tanta urgência que depois que consegue obter sucesso e finalmente ter o objeto dos sonhos em mãos, tudo torna-se comum. Nem parece que tantas noites sem dormir se passaram, tantos choros, rezas, expectativas foram alimentadas. E os defeitos, os que não existiam antes, finalmente começam a aparecer.
Então você se dá conta de que o tempo passou, nem tudo mudou, ou se mudou você não percebeu a mudança ocorrer. Percebe que o mundo é redondo e nossa existência não passa de um ciclo. Desejar, alcançar, desejar, alcançar, desejar, alcançar.
Ou, desejar e frustrar. A si, aos outros, quem quer que seja. Quando um objetivo não é alcançado, um desejo não realizado e quem sabe até realizado, mas não satisfeito, a frustração dá as caras. As vezes, simplesmente, os desejos mudam. São substituídos, alterados, adaptados. E as vezes até, não nos damos conta de que nossos desejos não são mais os mesmos até que o que nos faria feliz um dia, não está nem perto de fazer hoje.
O que tem desejado ultimamente?
KLEINIBING, L.
Relacionamento não é só prazer. Não é só festa, viagem, risada, diversão, brinde, sexo, beijo, cumplicidade. Relacionamento tem fase chata, de vez em quando tem briga, discussão, chatices, rotina, implicâncias, ciúme, bate boca. A gente tem que lidar, conviver e amar uma pessoa que veio de outra família, outro mundo, tem outra criação, outros costumes, outros pensamentos, outro jeito de viver. Você tem que aceitar aquela pessoa como ela é e isso dá muito trabalho. O amor é lindo, e ele é a maior recompensa para quem não tem medo de enfrentar os próprios medos e os medos do outros. É querer estar com a pessoa independente de qualquer coisa ou situação. Pelo simples fato de estar junto.
— Caio Fernando Abreu
All my life I’ve been searching for distractions. And you were the best distraction and now I don’t even have you.




